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Justiça condena dupla a mais de 50 anos de prisão por abusos contra crianças e adolescentes surdos em Jaraguá do Sul

Justiça condena dupla por crimes sexuais contra crianças e adolescentes surdos em Jaraguá do Sul

O Poder Judiciário proferiu sentença nesta terça-feira (29) condenando dois homens investigados por uma série de crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes surdos no município de Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina. Entre os sentenciados está um ex-presidente da Associação de Surdos da cidade.

As condenações somam mais de 50 anos de prisão em regime inicial fechado. Os dois homens já haviam sido presos preventivamente em abril deste ano e permaneceram detidos durante todo o andamento do processo.

Penas e tipificação dos crimes

A investigação foi conduzida pela Delegacia de Proteção a Crianças, Adolescentes e Idosos (DPCAMI) de Jaraguá do Sul, após solicitação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). O delegado Augusto Brandão detalhou as sentenças aplicadas aos réus:

  • Primeiro investigado (Ex-presidente da associação): Condenado pelos crimes de estupro de vulnerável (artigo 217-A do Código Penal) e por submeter pessoa vulnerável a outras formas de exploração sexual (artigo 218-B). A pena definitiva foi fixada em 29 anos e 8 meses de reclusão.

  • Segundo investigado: Condenado pelo crime de estupro de vulnerável envolvendo duas vítimas. A pena definitiva estabelecida pela Justiça foi de 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão.

Modus operandi e identificação das vítimas

Ao longo da apuração policial, pelo menos cinco vítimas foram identificadas e ouvidas formalmente. O inquérito apontou indícios de que o casal de homens se aproveitava da vulnerabilidade dos meninos e adolescentes surdos.

Conforme as informações divulgadas, os agressores ofereciam dinheiro em troca dos atos sexuais, além de utilizarem táticas de intimidação e chantagem emocional para manter o silêncio das vítimas. Os abusos configuram crimes de longa data: uma das vítimas, que atualmente tem 28 anos, relatou que a violência começou quando ela tinha menos de 14 anos de idade.

Desafios da investigação e apoio institucional

Devido à especificidade do caso e à condição das vítimas, a apuração exigiu um trabalho minucioso de coleta de provas e depoimentos. O delegado titular do caso destacou o apoio fundamental de profissionais externos para garantir que as vítimas fossem ouvidas com precisão e acolhimento.

“Quero registrar aqui meu agradecimento a todas as advogadas que acompanharam as vítimas, bem como a todos os intérpretes que auxiliaram, o que tornou possível coletar todas as provas durante a investigação”, ressaltou Brandão.

Embora a dupla permaneça presa em regime fechado, a decisão judicial ainda cabe recurso. A defesa dos condenados não foi localizada até a publicação desta reportagem, e o espaço permanece aberto para manifestação.



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